Lisistrata/ Pesquisa Teatral

sábado, 7 de agosto de 2010

A Acrópole

Acrópole
Apesar de não ser a única acrópole, a Acrópole de Atenas é a mais famosa de todas. "Acrópole" é um bairro central de uma cidade antiga da Grécia, semelhante ao centro das cidades modernas. A acrópole contém sedes administrativas civis e religiosas, geralmente situadas em uma colina ou outro ponto de fácil defesa. A Acrópole mais famosa da Grécia foi construída por volta de 450 A.C. sob a administração de Péricles, estadista grego. Foi dedicada a Atenas, deusa padroeira da cidade. A maioria das estruturas da Acrópole de Atenas hoje são ruínas. No entanto, várias ainda estão de pé, entre elas: Propileu, o portal para a parte sagrada da Acrópole; o Partenon, templo principal de Atenas; o Erécteum, templo dos deuses do campo, e o Templo de Atenas Nica, simbólico da harmonia do estado de Atenas.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Sobre o autor

Busto de Aristófanes
Aristófanes (gr. Ἀριστοφάνης) é o principal representante da "Comédia Antiga". Suas comédias, as únicas que chegaram integralmente até nós, são até hoje consideradas verdadeiras obras-primas do gênero cômico.
Os méritos poéticos de Aristófanes, porém, não foram muito apreciados pelos eruditos alexandrinos — eles conservaram suas obras, aparentemente, pelos simples fato de serem a fonte mais pura do dialeto ático antigo...


Biografia


Pouco se sabe de certo a respeito da vida pessoal de Aristófanes. Grande parte das informações disponíveis, sugeridas pela parábase das comédias que chegaram até nós, tem sido desconsiderada cada vez mais pela crítica moderna.
Nasceu por volta de 447 a.C, em Atenas, e seu pai se chamava Filípides; foi criado provavelmente no meio rural, talvez em uma propriedade na ilha de Egina. Consta que se tornou careca por volta dos vinte anos, que exerceu um cargo público — a pritania — no início do século -IV, e que teve dois filhos que seguiram carreira no teatro cômico, Araros e Filipos. Ele é mostrado por Platão, no Banquete, como um companheiro agradável, jovial e divertido.
Cleon (fl. 430/422 a.C), influente político que se destacou em Atenas após a morte de Péricles (495/429 a.C), foi diretamente satirizado por ele e, segundo a tradição, processou-o sem sucesso em 426 a.C. Nova sátira, ainda mais pesada, motivou um segundo processo em 424 a.C, resolvido aparentemente através de acordo fora dos tribunais.
Aristófanes compôs um total de quarenta peças e obteve nos concursos pelo menos seis primeiros prêmios e quatro segundos prêmios. Embora toda sua vida intelectual tenha transcorrido em Atenas, apresentou certa vez uma de suas peças no teatro de Elêusis. Sua primeira comédia, Os Convivas, estreou em 427 a.C sob o nome de Calístrato, o ensaiador da peça, e obteve de saída o segundo prêmio. Suas duas últimas comédias, Cocalos e Eolosicon foram encenadas por seu filho Araros após 388 a.C. Acredita-se que o poeta tenha morrido pouco depois, em algum momento entre 386 a.C e 380 a.C.






Obras sobreviventes


De toda sua obra somente onze comédias completas sobreviveram mas, em compensação, todas puderam ser datadas de modo razoavelmente preciso: Os acarnenses (425 a.C), Os cavaleiros (424 a.C), As nuvens (423 a.C), As vespas (422 a.C), A paz (421 a.C), As aves (414 a.C), Lisístrata (411 a.C), As tesmoforiantes ( 411 a.C), As rãs(405 a.C), As mulheres na Assembléia (392 a.C) e Pluto (388  a.C). Acarnenses, Cavaleiros, Vespas, Paz e Lisístrata tratam da vida política; Nuvens, Tesmofóriantes e Rãs criticam a vida intelectual; Aves, Mulheres na Assembléia e Pluto são alegorias, ou comédias de fuga (Starzynski, 1967).
Restaram também numerosos fragmentos de suas outras comédias, que permitiram reconstituir, ao menos em parte, o argumento de algumas delas.






Características da obra


As comédias anteriores a 400 a.C mostram duas preocupações básicas: fazer o público rir e criticar as instituições políticas e intelectuais da Atenas daquela época. E, em meio à linguagem viva e pitoresca dos diálogos, também estão presentes trechos de grande beleza poética, notadamente nas odes corais.
Todos os recursos cômicos imagináveis foram usados com grande maestria pelo poeta, desde a sátira mais grotesta até a malícia mais sutil: situações ridículas, cenas fantásticas, personagens alegóricos, caricaturas de personagens humanos reais e de deuses, pilhérias, ironias, jogo de palavras, trocadilhos, mal-entendidos, exageros, substituição de palavras esperadas por outras inesperadas, palavras compridas, paródias (de autores trágicos, principalmente), neologismos, provérbios...                                                                 Aristófanes recorria também com frequência à licenciosidade e à obscenidade, o que sem dúvida pode chocar os desavisados leitores modernos. Não se deve, no entanto, esquecer que o pudor de nossos tempos desenvolveu-se somente nos últimos 200 anos, e que os antigos encaravam com muito mais naturalidade esse tipo de gracejo. Além disso, as festas dionisíacas que originaram a comédia derivaram de antigos rituais de fertilidade em que o elemento sexual era componente relevante.
As críticas de Aristófanes atingiam a tudo e a todos. Chefes políticos, a Assembléia, os tribunais e os juízes, os militares, os poetas trágicos, os poetas cômicos, os filósofos, o povo em geral, os velhos, os jovens, as mulheres... ninguém escapou de sua verve. As intenções morais por trás das críticas eram, porém, muito sérias: o poeta defendia sempre os valores antigos, a vida rural e, em especial, a paz — tão desejável durante a Guerra do Peloponeso.
Nas duas últimas comédias, Mulheres na Assembléia e Pluto, nota-se uma redução expressiva das partes corais, o desaparecimento da sátira política e uma importante atenuação da sátira pessoal, o que coloca ambas no terreno da "Comédia Intermediária" ou, pelo menos, em pleno período de transição. É possível que uma das últimas obras de Aristófanes, Cocalos, apresentada por seu filho Araros entre -388 e -380, tenha inaugurado alguns aspectos da "Comédia Nova", introduzindo na comédia alguns aspectos românticos que caracterizariam posteriormente esse subgênero.

Guerra do Peloponeso

Breve resumo da guerra que instigou Aristófanes a escrever a peça Lisístrata como forma de se dizer contrário a referida guerra.

Mapa da divisão da Grécia na Guerra do Peloponeso
GUERRA DO PELOPONESO

Durante os conflitos contra os persas, que marcaram as chamadas Guerras Médicas (490 a.C. – 448 a.C.), os gregos empreenderam uma importante aliança militar comandada pela cidade-Estado de Atenas. Esta mobilização militar instituiu a Confederação de Delos, fundo bélico e monetário onde cada uma das cidades-Estado afiliadas deveria contribuir regularmente com armamentos e recursos financeiros. De fato, essa associação conseguiu aniquilar as pretensões territoriais dos exércitos persas.


Contudo, após essa expressiva vitória, os líderes políticos atenienses remodelaram o funcionamento da Confederação de Delos transformado-a em um instrumento de dominação dos atenienses sob as demais ciades-Estado. O vínculo opcional com a instituição passou a ter caráter obrigatório, chegando ao ponto de forçar seus participantes a pagar imposto aos atenienses. Em 450 a.C., o tesouro acumulado em Delos foi diretamente transferido para a cidade de Atenas.


Por meio de tais ações, as pretensões militares que anteriormente marcavam a existência da Confederação de Delos desapareceram e cederam lugar ao autoritarismo, e às ambições do enriquecido governo ateniense. As áreas controladas por Atenas foram divididas em cinco regiões e um eficiente sistema de arrecadações foi criado. Grande parte dos recursos foi gasto com o embelezamento e a reconstrução da cidade de Atenas, que logo sofreu a oposição de outras subjugadas ao seu poder.


A rivalidade estabelecida contra Atenas instigou outras cidades-Estado como Corinto, Megara, Tebas e Esparta a se unirem contra o crescente imperialismo ateniense. Para tanto, decidiram promover a criação de uma outra associação militar conhecida como a Liga do Peloponeso. O estopim da guerra aconteceu quando a colônia de Córcira se levantou contra a cidade de Corinto, que fazia parte da recém-criada Liga do Peloponeso.


Sendo a revoltosa colônia integrante da Liga de Delos, os atenienses cederam tropas para enfrentar os inimigos provenientes da outra associação militar. Com isso, o conflito teve seus primeiros passos e uma primeira fase encerrada em 421 a.C., momento em que as lideranças atenienses e espartanas assinaram uma trégua estabelecida pela Paz de Nícias. Segundo o acordo, os dois lados se comprometeram a cumprir uma trégua que duraria meio século.

No entanto, o acordo foi descumprido pelos atenienses que, em 413 a.C., realizaram um ataque contra Siracusa, região aliada da cidade-Estado de Corinto. Dessa forma, os conflitos reiniciaram e os atenienses foram violentamente subordinados pelas forças militares comandadas pelos espartanos. Após essa vitória, os espartanos sustentaram algumas de suas tropas na região Ática e conceberam outra frente militar designada para libertar as demais cidades-Estado subjugadas por Atenas.

No ano de 404 a.C., os espartanos venceram a batalha de Egos-Pótamos e, dessa maneira, acabaram com a hegemonia exercida pelos atenienses. Mesmo com o fim da Guerra do Peloponeso, novos incidentes militares envolveram as várias cidades gregas da Hélade. A disputa pela hegemonia sob o mundo grego causou um enorme desgaste humano, econômico e político a boa parte da Grécia. A partir desse instável quadro, os macedônios controlaram a Grécia no século IV a.C..

Resumo

A comédia tem 1320 versos e ocupa cerca de 50 páginas da edição de Hall e Geldart (1907), na qual se baseia este resumo.



Lisístrata reúne-se com vizinhas e mulheres de diversas cidades gregas, inclusive Esparta. Para acabar com a guerra, propõe uma greve de sexo e a invasão da Acrópole, onde é guardado o tesouro ateniense. Todas concordam, e a Acrópole é tomada (Prólogo, 1-253). O Coro de Velhos tenta expulsar as mulheres da Acrópole com tochas, mas são impedidos pelo Coro de Velhas (Párodo, 254-386).
Um comissário, com o auxílio de soldados, tenta prender Lisístrata e entrar na Acrópole, mas as outras mulheres não permitem (1º Episódio, 387-466). O comissário e Lisístrata discutem. Ela expõe as razões pelas quais acredita que as mulheres são melhores que os homens para resolver conflitos; ele afirma que o lugar das mulheres é dentro de casa (Ágon, 467-607). O comissário, furioso, vai encontrar os seus colegas (2º Episódio, 608-613). Os dois coros trocam desaforos e ameaçam enfrentar-se (1º Canto Coral, 614-705).
Lisístrata explica ao Coro de Velhas os tremendos esforços que tem de fazer para impedir que as mulheres entrincheiradas na acrópole escapem e confraternizem com o "inimigo". Depois de impedir diversas fugas, lê uma profecia que assegura a vitória às mulheres, desde que se mantenham firmes em seu propósito (3º Episódio, 706-780). Os dois coros trocam "delicadezas" novamente (1ª Cena lírica, 781-828).
Cinésias, marido de Mirrina, vem à cidadela tentar convencer a mulher a voltar. Ela finge concordar, provoca-o bastante e foge para a Acrópole, deixando-o literalmente inflamado de desejo. Aparece então um arauto lacedemônio no mesmo estado, e afirma ao Prítane que veio tratar da paz, pois em Esparta e nas demais cidades todos os maridos estão na mesma situação (2ª Cena lírica, 829-1013).
O coro de velhos e o coro de velhas atenienses se entendem e fazem as pazes (2º Canto coral, 1014-1042). Os representantes de Esparta se encontram com os representantes de Atenas; todos estão tremendamente excitados. Lisístrata aparece, e intermedeia o acordo para a paz (3º Canto coral, 1043-1215). Atenienses e espartanos, reconciliados, comemoram o fim da guerra (3ª Cena lírica, 1216-1320).

Sobre a peça

ΛΥΣΙΣΤΡΑΤΗ — Lisístrata —, comédia de Aristófanes, foi apresentada em -411, nos últimos anos da Guerra do Peloponeso. Atenas estava em situação crítica: ainda não se recuperara da desastrosa campanha da Sicília (-413), os lacedemônios (espartanos), acampados a pouco mais de 20 quilômetros, haviam concluído um acordo com o sátrapa persa Tissafernes, e diversos aliados passavam para o lado do inimigo.



A comédia, um ingênuo mas veemente apelo à paz, foi representada pela primeira vez nas Lenéias[1] sob o nome de Calístrato, o ensaiador da peça. Nada sabemos a respeito da premiação obtida.
 Lisístrata é a mais antiga das comédias aristofânicas que chegou até nós sem a parábase.


Hipótese
As mulheres das cidades gregas envolvidas na Guerra do Peloponeso, lideradas pela ateniense Lisístrata, decidem instituir uma greve de sexo até que seus maridos parem a luta e estabeleçam a paz. No fim da peça, graças às mulheres, as duas cidades celebram efetivamente a paz.


Curiosidade: Lisístrata, em grego, quer dizer "a que dissolve / separa exércitos"...


Personagens
LISÍSTRATA, CALONICE, MIRRINA - Mulheres atenienses.
LAMPITO - Mulher espartana.
CORO A - Velhos atenienses.
CORO B - Velhas atenienses.
COMISSÁRIO, PRÍTANE  - Representantes da Assembléia ateniense.
CINÉSIAS - Marido de Mirrina.
O filho de Cinésias, um arauto lacedemônio. Participam também diversas outras mulheres atenienses, representantes de Atenas e de Esparta, e vários personagens mudos.


Cenário
A cena se passa em Atenas, na Ática. O cenário representa duas casas, a de Lisístrata, de um lado, e a de Cleonice, de outro; ao fundo, o Propileu (entrada monumental da acrópole) e a gruta de Pã (Alfonsi, 1966).